sábado, 5 de maio de 2012
Dos fatos que monto
Imagina como é para um escritor quando tentam descobrir o final da sua história?
Ele é um ser criativo, imaginativo, que não precisa viver para saber, que não precisa contar ao outro para atingir a todos. Só que muitos querem desvendar tramas que o próprio artista ainda não costurou, simplesmente não deixou a linha fluir.
A obra está pensada com personagens específicos, situações dignas dos dramas nacionais, sucesso para alguns, batalha diária para outros, mas com felicidade, aparente, para o grupo inteiro. Ele não quer intrigas viscerais, não quer psicologia popular, não quer atingir rodas de discussão, mas adoraria ser sempre citado, ser referência, ser reconhecido.
O artista que cria é um ser distante, diferente, estranho, confuso, e não é algo que possa ser facilmente explicado com palavras.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Eu sou incongruência
Quero poder falar muito, e ter o que dizer quando precisar ouvir. Quero saber muito em busca de um reconhecimento passageiro e que pode até ser fútil. Quero a futilidade de um dia no clube, com sorrisos, fotos e protetor solar. Quero viver o dia de sol da mesma forma que um dia de chuva, com auto-estima. Quero cuidar de todos, por ter todos ao meu lado. Quero estar do lado bom da vida, de quem curte, de quem vive, de quem se sente bem no lugar que escolheu estar. Quero ficar onde me sinto livre, livre para criar, para montar, para envolver, para juntar, unir, divulgar.
Mais do que rico ou humilde, quero poder passar os dias dividindo atenções. Quero ser feliz grudado nas melhores pessoas. Sonho em poder ser sincero, amigo, companheiro, confidente. Quero valorizar e ser alguém com quem você possa contar. Quero que você saiba que eu não sei para onde ir, que não sei se estou certo, que não tenho a coragem necessária para ousar, mas que sou, simplesmente, eu. O melhor que este pode ser.
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terça-feira, 10 de abril de 2012
Olá, tudo bem?

O Paulo Henrique Amorim da TV com certeza não conhece o Paulo do ônibus. Este, o do transporte, tem dois filhos, com idades próximas dos nove ou onze anos. Ele vende doces, mas não sei se os produz. Ele imita o jornalista conhecido do programa de domingo, ou pensa que o faz. Sem dúvidas, há muitas maneiras de chamar a atenção dos possíveis clientes, mas unir uma família em torno da proposta de imitar um famoso me pareceu criativo. O melhor de tudo não foi a imitação, ação com tentativas dos três comerciantes, mas o esforço para. Juntaram um modo peculiar de falar com uma certa poesia, com uma certa música, em uma certa proposta fechada de publicidade. As crianças procuravam imitar o pai, que buscava imitar o senhor da informação já citado. O Paulo do ônibus não veste um terno, mas camiseta listrada e calça, não usa tinta no cabelo, mas mostra a idade nos fios brancos naturais. Os dois trabalham no fim de semana. O Paulo do ônibus não domina a comunicação, mas o faz da sua maneira, e vive disso. Este moço talvez nem tenha esse nome.
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sexta-feira, 9 de março de 2012
Era noite na cidade

Uma razão forte para sair mais cedo do trabalho, questão de minutos, é correr para pegar o ônibus para sua residência, que fica bem longe dali. E aí tem o dia em que você rompe a barreira do medo de pedir para ir embora antes da hora. Vez ou outra pode acontecer do seu ônibus não passar. Ele pode ter quebrado, a linha pode ter mudado, ou o motorista não quis apagar o cigarro e levantar da cadeira. Você espera o próximo, já imaginando que ele virá apenas uma hora mais tarde. E a noite avança. Perto das dez da noite você, enfim, nota que a situação não está boa. Passou da hora de ir atrás de uma segunda opção.
Após sair andando no centro da cidade e encontrar pessoas estranhas nesse caminho, você pega um ônibus caro para te levar "daqui ali". Você encontra, então, as pessoas da noite. Aquelas pessoas que trocam os turnos, praticamente. Aquela gente que habita o centro da cidade no fim, término mesmo, da noite. Pessoas que levam vida diferente da sua, que é uma pessoa do dia. Não do sol, mas da luz. Enfim, no horário em que um dia normal você estaria curtindo um "reality" na sua casa, sentado no sofá, você pega um ônibus que, por assim dizer, vai dar a volta ao mundo. E o mundo é longo, como um trajeto longo. Duas crianças, com seus pais ali no transporte, são responsáveis pela sua sensação de tranquilidade. São "o lado bom da coisa". E você consegue sorrir. Nada como um dia após o outro, você poderia pensar. Mas, se esta é a vida de quem não segue rotina, eu diria para você que o mais confortável é saber quando vai estar em casa, é o prazer do horário.
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
Um mesmo

Você me disse que não mudei nada desde a última vez que nos vimos. E não faz mais de quatro anos que isso aconteceu. Você disse que sou o mesmo garoto, que nem meu peso deve ter mudado. Poderia ser, talvez seja. Se pensa que ainda vejo as coisas como naquela época, na verdade, errou. Minha cabeça mudou muito, pode ter envelhecido até passar da conta, até passar da maturidade que você espera, ou da juventude em que deveria ter parado. Não bebo, não fumo. E você acha estranho. É mais fácil pensar que, por ser diferente, eu sou errado. Não vivo as suas razões, não vivo as suas ansiedades, vivo as minhas, e já me são o bastante. Sou mais do que eu mesmo penso ser, mais do que esperam de mim, mais do que construo. E essa construção trava exatamente por ter que conviver, a cada passo, com julgamentos de alguém que nunca deveria ter se dado o trabalho de pensar sobre isso. Sempre quis que soubessem quem eu sou, mas nunca pensei em responder à expectativas. Quieto, calado, quase estático, quebro regras, como um jovem.
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Conto

E eu disse a ela que já tive muita imaginação. Eu disse que criava, inventava, me divertia bastante. Será que pôde acreditar? Contei que tinha um irmão, mas que não tinha. Que tinha alunos, mas que não tinha. Que tinha uma grande empresa, mas que ainda não tinha. O que eu disse para mim? Tem horas que as coisas precisam ser ditas para você mesmo. Ela poderia ter me dito que ainda sou assim, ou que não, mas deveria. Ou talvez não.
Era bom o artesanato, era bom fingir ser outra pessoa, era bom animar o outro estando animado. Era bom me aborrecer e não esconder de ninguém. Faz tão pouco tempo. Algo aconteceu. Ou talvez não. Quem sabe se escrever não é a forma madura de ser o mesmo que narro aqui?
A figura da criança é espetacular, e eu não disse isso a ela. Um pequeno que se comunica pode ser tudo. Só que um caminho precisa ser percorrido. E aí tem que se acertar a porta, ou, o mais importante, saber achar a saída se a entrada não era exatamente aquela. Ou era?
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domingo, 19 de fevereiro de 2012
Lá fora

Para o homem e a mulher de roupa colorida
Para quem sabe coordenar os passos
Para quem espera dias e dias
Para quem quer que o ano comece
Também há razão para o que vê diferente
Para quem trabalha de várias formas
Para quem dorme cedo
Para quem não consegue uma paz ao dormir
Para quem faz poesia
Para quem vive poesia
Há quem cante, quem sambe, quem mira
É tempo de carnaval lá fora
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