
Uma razão forte para sair mais cedo do trabalho, questão de minutos, é correr para pegar o ônibus para sua residência, que fica bem longe dali. E aí tem o dia em que você rompe a barreira do medo de pedir para ir embora antes da hora. Vez ou outra pode acontecer do seu ônibus não passar. Ele pode ter quebrado, a linha pode ter mudado, ou o motorista não quis apagar o cigarro e levantar da cadeira. Você espera o próximo, já imaginando que ele virá apenas uma hora mais tarde. E a noite avança. Perto das dez da noite você, enfim, nota que a situação não está boa. Passou da hora de ir atrás de uma segunda opção.
Após sair andando no centro da cidade e encontrar pessoas estranhas nesse caminho, você pega um ônibus caro para te levar "daqui ali". Você encontra, então, as pessoas da noite. Aquelas pessoas que trocam os turnos, praticamente. Aquela gente que habita o centro da cidade no fim, término mesmo, da noite. Pessoas que levam vida diferente da sua, que é uma pessoa do dia. Não do sol, mas da luz. Enfim, no horário em que um dia normal você estaria curtindo um "reality" na sua casa, sentado no sofá, você pega um ônibus que, por assim dizer, vai dar a volta ao mundo. E o mundo é longo, como um trajeto longo. Duas crianças, com seus pais ali no transporte, são responsáveis pela sua sensação de tranquilidade. São "o lado bom da coisa". E você consegue sorrir. Nada como um dia após o outro, você poderia pensar. Mas, se esta é a vida de quem não segue rotina, eu diria para você que o mais confortável é saber quando vai estar em casa, é o prazer do horário.





